A concorrência entre Ambev e Heineken, por causa do malte

Com um novo investimento pesado em Pernambuco, a gigante brasileira quer crescer no mercado puro malte

Ambev acaba de anunciar um grande investimento em uma de suas cervejarias em Itapissuma, Pernambuco, que vai ganhar uma nova linha de envase de latas para abastecer o Norte e o Nordeste. A linha de envase de latas é essencial para suprir a demanda do mercado agravada na pandemia.
Com investimentos de 255 milhões de reais, o aumento de capacidade tem um objetivo: aumentar a presença da gigante brasileira no mercado puro malte. A Ambev afirma que será, em 2021, a cervejaria com a maior capacidade de produção de puro malte no Norte e Nordeste, aumentando a capacidade de produção de cervejas como Stella Artois, Skol Puro Malte, Bohemia, Brahma Extra e Brahma Duplo Malte.
As bebidas puro malte passaram a ser mais desejadas e sinônimo de qualidade há alguns anos. Essa variedade de cerveja é grande parte da estratégia também da Heineken e do Grupo Petrópolis com a marca Petra.

Plano da Heineken

A principal estratégia da Heineken é se transformar em sinônimo de categoria. Ainda que tenha diversas marcas no Brasil, seu principal esforço está na marca premium que leva o nome do grupo, frequentemente chamada de “a Heineken verde”. Com essa aposta, a participação de mercado da Heineken passou de 10,3% para 19,6% em volume entre 2014 e 2019.
Para isso, aposta em um marketing que valoriza a qualidade de suas cervejas, bastante diferente do que se via no mercado brasileiro até então. No lugar de se focar em ocasiões de consumo como praia e futebol, as propagandas são voltadas para a qualidade da cerveja, o uso de apenas três ingredientes e o fato da cerveja ser de puro malte. Como consequência, o malte passou a ser visto como sinônimo de qualidade para o consumidor brasileiro. “Era uma guerra de marketing, não de produto. Agora a briga é em relação ao produto”, diz um empresário próximo às empresas que prefere não ser identificado.
Para fontes ouvidas por EXAME, esse foi o grande trunfo de marketing da companhia. “A Heineken tinha uma barreira de entrada, que era o amargor de sua cerveja. Mas foi muito bem sucedida ao posicionar a marca como premium, de qualidade. Agora é chique tomar Heineken” diz Ronaldo Morado, consultor do segmento de cervejas, ex presidente da Colorado (2013-2014) e autor do livro Larousse da Cerveja. No final do ano passado, o Brasil se tornou o maior mercado global para a Heineken – justamente o país natal da gigante Ambev.

Reação do mercado

O grupo Petrópolis, que fabrica a marca Itaipava e ocupa a terceira posição com 13% do mercado, também passou a apostar na cerveja puro malte. A marca Petra já corresponde a 15% do faturamento após dois anos de lançamento e é a segunda mais vendida da fabricante — atrás apenas da Itaipava, que domina as vendas e corresponde a 60%.
Para fazer frente à Heineken, a Ambev lançou, em janeiro de 2018, a Skol Puro Malte e, dois anos depois, a Brahma Duplo Malte. Também trouxe a Beck’s, cerveja alemã de seu portfólio internacional. Com esse novo investimento, busca se adequar aos novos hábitos e gostos de seus consumidores.
 
fonte: exame. /imagem: Germano Lüders/Exame

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